
Desde 1993 vimos desenvolvendo experiências de educação formal e não formal que utilizam o lúdico como estratégia de engajamento e motivação para o aprendizado. O foco na promoção da saúde foi dirigido em 2003 para a arte do Palhaço, quando passamos a exercitar regularmente nas ruas da cidade do Rio de Janeiro o encontro de um palhaço-músico (Palhaço Matraca) com a população de rua. O universo lúdico como instrumental educativo exerce papel fundamental não só no processo de aprendizagem em saúde, mas na relação do cidadão com o seu meio social. Temos no Brasil, por exemplo, o Projeto Saúde e Alegria que atua em 16 comunidades no médio Amazonas paraense, com a previsão de expansão para 132 comunidades nos próximos cinco anos. Objetivo: investigar o potencial do uso da Arte da Palhaçaria como tecnologia social para divulgar e promover saúde. Método: Para esta investigação estamos adotando a metodologia de cunho qualitativo dividido em duas etapas: 1) o levantamento histórico-documental e bibliográfico sobre o tema e 2) o trabalho de campo com a oficina de multiplicadores sistematizada na apresentação dos objetivos, demanda de trabalho, relato das experiências e avaliação. Este trabalho será registrado por meio de fotografias e filmagens. Resultado: Questões de saúde presentes nesse trabalho são: prevenção de DST-Aids, cultura de Paz, meio ambiente e a divulgação de políticas públicas. A percepção da boa receptividade das pessoas à esse trabalho e a intuição sobre seu potencial educativo, estão na raiz da proposição e da elaboração desse projeto. Percebe-se que a arte de um palhaço tem um grande potencial de comunicação e educação que podem gerar encanto, beleza e saúde, pois se trata de uma arte que vai para a rua cooperando para as mudanças sociais. Constata-se, ainda, que a figura do palhaço como divulgador e promotor da saúde pode se tornar de grande relevância neste momento da história, pois como disse Nietzsche (2002), como aceitar uma verdade cuja enunciação não se fez acompanhar de nenhuma risada? Como acreditar na saúde sem rir da doença? De outro modo, parafraseando o poeta Milton Nascimento (1975), o artista tem de ir onde o povo está e o promotor da saúde também precisa ir onde está o povo, assim a rua torna-se o espaço principal, o verdadeiro picadeiro, o palco do palhaço.